DOR NA SOLA DO PÉ E OS PROBLEMAS DO SALTO ALTO: SAIBA QUE A SAÚDE DOS PÉS PODE EVITAR PROBLEMAS NO F
- Dr. Joaquim Ribeiro
- 2 de jun. de 2016
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Dor na região da sola dos pés pode ser um indicativo muito variável para a certeza do problema. Porém, indica que é necessário dar mais atenção a esta parte do corpo tão importante, que permite a caminhada perfeita e suporta tantas cargas ao longo dos dias. Assim, aqui temos alguns dos possíveis problemas e soluções, lembrando que a indicação do uso de fármacos fica a critério do médico, contudo, a identificação do problema pode ser feita pelo fisioterapeuta, indicando o tratamento (não medicamentoso) e/ou encaminhando o paciente a outro profissional caso necessário, de acordo com o problema encontrado, como veremos adiante.
Na grande maioria das vezes, a dor na sola do pé é gerada por tensões na fáscia plantar, trazendo o diagnóstico de fascite, que é a inflamação da membrana fibrosa que reveste os tendões e músculos flexores dos dedos do pé, e neste sentido, possui diversas causas. A inflamação pode ser originada por atividade repetitiva e de alta intensidade, como caminhar demais, pé chato e pisada hiperpronada e/ou pé cavo, como também a formação de um osteófito que irrita a fáscia. Porém, é predominantemente causado por calçados inadequados e mau amortecimento do impacto durante a pisada, gerando sobrecargas nessa estrutura. Neste sentido, alertamos ao uso dos calçados de salto alto, que alteram a biomecânica da marcha, culminando em padrões posturais compensatórios, que evoluem para disfunções musculoesqueléticas, tendíneas e nervosas. Nestes casos, é comum a presença dos 5 sinais cardinais da inflamação, o edema, hiperemia, rubor, hiperalgesia e perda da função (inchaço, calor, vermelhão, dor e dificuldade de movimento). Por esse motivo, o médico receita anti inflamatórios e analgésicos, que diminuirão o processo inflamatório e a dor. Entretanto, a causa do problema permanece e será tratada com a fisioterapia, que usará gelo, ultrassom, alongamentos, exercícios, treino proprioceptivo e fará a prescrição de palmilhas ortopédicas, além de recomendar o uso de calçados mais adequados e ensinar a biomecânica do exercício que pode estar causando o problema. Contudo, em alguns casos, será necessário um procedimento cirúrgico, quando não houver outra medida terapêutica.

Ignorar a fascite plantar pode resultar em dor crônica no calcanhar, que poderá causar ainda mais dificuldades à rotina e às atividades regulares do dia a dia. Se você tentar evitar a dor mudando a maneira de caminhar, por exemplo, poderá causar problemas não só ao pé, mas também aos joelhos, quadril e até mesmo à coluna.
Existem outros motivos da dor, que devem ser melhor investigados, como na metatarsalgia, onde a região do antepé fica dolorosa. Nesta região, ficam os ossos do tarso, estruturas fundamentais para o sustento e adaptação dos pés aos desníveis dos terrenos, e estão sujeitos a diversas lesões, tanto traumáticas, quanto crônicas, que podem culminar em artrose, que é a degeneração da cartilagem da articulação e pode gerar rigidez, inflamação e dores nos dedos. A sobrecarga de impacto nesta região pode gerar modificações da biomecânica do corpo, jogando o peso dos indivíduos para frente, o que resulta na sobrecarga de algumas regiões do pé, joelho, quadril e coluna.

Existe uma condição importante, que na prática clínica do fisioterapeuta pode ser encontrada com testes de rotina, denominados “Teste de Kelikian-Ducroquet”, onde se acentua o arqueamento transverso do antepé e “Teste de Mulder”, potencializando a compressão latero-medial do antepé, quando positivos são indicativos de Neuroma de Morton. Nesta condição patológica, o paciente geralmente refere sinais relacionados à compressões neurológicas, como dormência, fincadas, dor e dedos em garra (2º,3º e 4º), sendo importante que se encaminhe o paciente para o traumatologista. Porém, já se pode indicar o uso de uma órtese para aliviar a compressão do ramo nervoso do espaço interdigital. Além disso, para termos o funcionamento correto do nosso sistema circulatório, devemos ter nossos pés a 90° em relação ao solo, assim podemos exercer o bombeamento de sangue nos membros inferiores a fim de fazer com que a circulação sanguínea se movimente com mais facilidade e faça seu papel de nutrir e oxigenar os tecidos musculares, tecido ósseo e a pele, evitando o edema nos pés.

Por fim, os alongamentos são alternativas para que o salto alto não influencie tão negativamente na saúde da mulher, alternar durante a semana saltos altos com sapatos mais baixos também ajudam a diminuir o impacto no corpo.